Páginas Matinais [exercício criativo]
- Daniela Ventura
- 29 de jan. de 2023
- 2 min de leitura
"Os artistas são visionários. Praticam uma forma de fé, vendo um objectivo criativo que reluz à distância e seguindo na sua direcção."
Julia Cameron
Julia Cameron, autora do livro "O caminho do artista", é uma artista que trabalha com o despertar do potencial criativo que existe em nós, ajudando-nos a romper com bloqueios. Ela desmistifica a ideia de que o processo criativo precisa de ser sofrido e é limitado a alguns e leva-nos ao abandono de qualquer desculpa que nos impede de seguir em frente no acesso ao nosso potencial criativo.
A primeira ferramenta que ela partilha no seu programa (e livro), são as Páginas Matinais.
No capítulo "Ferramentas básicas", ela explica que "para recuperarmos a nossa criatividade, primeiro precisamos de a encontrar". Como? Com a ajuda de técnicas como as páginas matinais, um exercício que deve ser feito, diariamente, durante um mínimo de 12 semanas.
Como?
Todos os dias, ao acordar, preenche três páginas escritas à mão com pensamentos livres. Uma verdadeira drenagem mental!
Por exemplo: "Ah, bolas, mais uma manhã e eu sem nada para escrever... Vou lavar a roupa mal me levante porque está sol."
Não existe certo ou errado nas páginas matinais - apenas um fluir de palavras e mais palavras num caderno que ninguém deve ler para além de ti - e nunca antes das primeiras oito semanas de escrita.
Deixa no papel todos os obstáculos que se colocam entre ti e a tua criatividade: raiva, irritação, injustiças, preocupações, medos.
Como "pessoas bloqueadas", temos tendência em nos criticarmos sem dó nem piedade. Somos vítimas do nosso perfeccionismo interior, um crítico maldoso que mantém uma corrente de comentários subversivos que tendemos a confundir com verdade. A Julia chama-lhe de "censor".
Frases famosas do censor:
"Chamas a isso escrever - deves estar a gozar!"
"Há tanta gente medíocre como tu - porque achas que te vais destacar?"
"Nem pontuar sabes, quanto mais..."
"O que te faz pensar que és criativo?"
A questão é que, ao acordarmos e irmos directos para as páginas matinais, aprendemos a escapar às garras do censor. Como não há forma errada de o fazer, a opinião dele não conta. Ele vai aparecer e resmungar, e nós vamos ignorar porque nos estamos nas tintas para ele. Aquele é o nosso momento - somos livres ali.
Não há certos, nem errados: apenas uma mão a preencher o papel.
Espero que gostem deste encontro tão íntimo com o vosso interior e que partilhem comigo um pouco do vosso sentir depois das doze semanas iniciais.
Boa sorte!
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